Património Imaterial

O cante alentejano como alma e identidade de Cuba

Património Imaterial

O Cante Alentejano é, por si só, umas das maiores manifestações culturais do Concelho de Cuba, nesta que é considerada a "Catedral do Cante".

Apesar de existirem várias teses que pretendem explicar a origem desta manifestação artística peculiar, de entre as quais se salientam a que defende a sua origem no canto gregoriano e a que considera que o mesmo foi proveniente do canto árabe – não existe ainda uma explicação definitiva, pois a informação histórica e documental disponível não é considerada suficiente. Certo é, todavia, que esta forma de expressão vocal está claramente relacionada com os trabalhos do campo e com os encontros de fim de tarde nas tabernas, espaços de excelência para a criação das modas do Alentejo.

Grupo Coral "Os Ceifeiros de Cuba"

Em 1933 foi fundado o Grupo Coral "Os Ceifeiros de Cuba" por António Luís Fialho. A sua primeira apresentação pública foi na Feira de Cuba desse ano, também ela dando os seus primeiros passos, pois foi esta a sua primeira edição. A criação do Grupo ultrapassou as marcas da proteção e manutenção do Cante Alentejano, para estabelecer uma ligação simbólica com o escritor que viria a ser adotado como patrono do Grupo - Fialho de Almeida - sendo o seu nome inspirado no texto "Ceifeiros" daquele escritor.

Ao longo da sua história tornou-se um dos grupos mais característicos do Alentejo, acentuando a passagem do testemunho de uma tradição vincadamente regional, para uma visão partilhada e assumida de difusão cultural genuinamente popular e portuguesa, ao colocar-se sob a égide do grande escritor, cuja obra acabou por evocar.

Os "Ceifeiros de Cuba" - Grupo Etnográfico, atualmente ensaiados pelo Mestre Ermelindo Galinha - têm levado o nome de Cuba e do Alentejo de norte a sul do País, bem como ao estrangeiro, nomeadamente, Espanha (Burgos no País Basco e Monastério) e França (Bourgogne, Chatillhon-en-Bazois, Saulieu, Estrasburgo, no Parlamento Europeu). Têm sido centenas as atuações do Grupo, nos mais variados contextos, quer em Feiras, Exposições, Hotéis, Discotecas, Encontros de Corais e Festivais, quer em receções e outros eventos de carácter social e cultural; de destacar as atuações no Coliseu dos Recreios, no Teatro Maria Matos, no Pavilhão dos Desportos, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na Alfândega no Porto, no encerramento do I Congresso do Cante Alentejano, ainda as três atuações na EXPO 98, no Pavilhão de Portugal, Pavilhão dos Oceanos e Pavilhão do Território. Na Televisão o Grupo participou nos Programas "Bom Dia", "País, País" e "Cais do Oriente" da RTP1; "Acontece" da RTP2, "Jardim das Estrelas" da RTP Internacional e "Horizontes da Memória" na RTP2 e RTP Internacional; de registar, também, duas participações cinematográficas, uma no filme documentário "Alentejo Cantado" de Francisco Manso e outra em "Polifonias - Pace è Salute, Michel Giacometti", de Pierre-Marie Goulet.

A produção discográfica dos "Ceifeiros de Cuba" tem sido outro dos meios de preservação e divulgação do cante alentejano, tendo, até ao momento o Grupo produzido sete cassetes, um single, um LP e participação em três CD um dos quais editados pelo Instituto Internacional de Música Tradicional de Berlim e Smithsonian Folkways de Washington. Os constantes convites que o Grupo recebe para atuações diversas são o reconhecimento do seu valor o qual tem sido, também, reconhecido pelos troféus que ganhou nos certames em que participou - sete primeiros lugares, quatro segundos lugares e quatro terceiros lugares."Os Ceifeiros de Cuba" consideram-se, por isso, um Grupo bem representativo do cante alentejano.

Contactos:

96 436 65 47 [Luís Anjo]
E-mail: ceifeirosdacuba@gmail.com
Ver Página Web no Myspace

Grupo Coral "Amigos do Cante"

Grupo fundado em Junho de 1986 que começou com um grupo de amigos, daí o seu nome "Amigos do Cante". Este grupo Coral Alentejano, nas suas acuações, tem levado o nome de Cuba e do nosso Alentejo, desde o Norte ao Sul do País. Em 1987 participou num concurso de Cante Alentejano onde alcançou o 3º prémio. Em 1988 num outro evento, também em Beja, alcança o 2º prémio e em 1991 em Castro Verde obtém o 1º lugar num Encontro de grupos Corais.

Em Maio de 1998, foi convidado para estar presente na inauguração da Expo'98. No ano 2000 a 29 de Fevereiro, Os Amigos do Cante foram visitados pelo grupo Musical Septeto Habanero de Cuba e pelo cantor Victorino e seu irmão Janita Salomé. Em 2001 e 2002 esteve em Leiria, Casino de Espinho e Évora - Igreja das Mercês, em encontros de Corais e representação do Concelho de Cuba. Realiza dois encontros de Corais por ano, integrados nas iniciativas Culturais do Concelho :O 1º em Setembro - Aniversário do Grupo e o 2º em Dezembro - Cante ao Menino. "Os Amigos do Cante", têm várias gravações em Cassete e CD's.

Na imensidão da planície alentejana, desenrolou-se grande parte da atividade destes homens. A fisionomia da paisagem marca, de certa forma, o seu comportamento, a sua maneira de ser, de estar e de sentir do povo alentejano. As modas são de raiz popular alentejana e são a natural exteriorização do sentimento popular. São o retrato fiel de cenas do quotidiano destas gentes. A alegria, a tristeza, o amor, a saudade ... são alguns destes sentimentos. As vozes dos Amigos do Cante, com os seus elementos a cantar, identificam todo o nosso Alentejo.

Contactos:

284 412 426 [Responsável do Grupo: Augusto Duarte]

Rua Luís de Camões, n.º 28 - 7940 - Cuba

Grupo Coral "S. Luis de Faro do Alentejo"

Grupo Coral fundado pela Junta de Freguesia de Faro do Alentejo com o objetivo de dinamizar e divulgar o Cante como elemento da Cultura Alentejana, atuando em todo o Alentejo e no País.

Contactos:

284 412 487 [Responsável do Grupo: Francisco Cardoso]

Largo da Praça s/n - 7940 - Faro do Alentejo

Grupo Coral "Flores do Alentejo",Grupo Coral "As Ceifeiras do Alentejo" e Grupo Coral "As Amigas do Campo"

São os grupos femininos do nosso cante, o seu cantar é uma maravilha para os nossos sentidos. Cantam modas, que exprimem sentimentos ( o amor, a paixão, a terra ) conhecidas em todo o Alentejo, num estilo silábico e respeitando o andamento característico da margem esquerda do Guadiana. A ornamentação vocal do alto é projetada, claramente, acima do coro.

Contactos:

Grupo Coral "Flores do Alentejo" | Tel. 284 412 535 [Responsável do Grupo: Clemência Damião]

Rua do Touril, n.º 3 - 7940 - Cuba

Grupo Coral "As Ceifeiras do Alentejo" | Tel. 96 742 90 94 [Responsável do Grupo: D.ª Natália]

Apartado 7 - 7940 - Cuba
Grupo Coral "As Amigas do Campo" | Tel. 284 415 176 [Responsável do Grupo: Maria Candeias]

Rua da Fé, n.º 41 - 7940 - Faro do Alentejo

Fialho de Almeida

Fialho de Almeida, alentejano natural de Vila de Frades, viveu os últimos anos da sua vida em Cuba, onde veio a falecer e onde se encontra sepultado. Falar de Fialho é falar de um dos mais importantes escritores do panorama literário nacional, dum vulto grandioso da literatura portuguesa, cuja escrita nos revela uma enorme capacidade crítica e irónica e nos presenteia com momentos de uma beleza estética imensa. Na sua obra, diz o próprio Fialho, podemos distinguir três tipos de prosa impressionista: a de romance e descrição, a de artigo crítico e a satírica. Admirado por muitos, ele é dono de um humor dito “ácido” que, frequentemente, contribuiu para inflamar os ódios, as antipatias e os rancores, daqueles não o souberam compreender.
Detentor de um conhecimento profundo da língua portuguesa, que soube engrandecer, deixou-nos um importante legado literário, onde o mordaz das suas críticas se confronta com a beleza impressa nos seus contos. Raul Brandão dizia que Fialho tinha tudo na alma e quem o lê confirma-o. A insubmissão do panfletário expressa na máxima que mais o celebrizou “miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca”, contrasta com a sensibilidade do poeta; uma sensibilidade expressa num texto denominado último bilhete onde, muitos anos antes de morrer, tece alguns comentários sobre a sua própria morte:

“Façam-me um caixão de cedros olorantes, forrados com penas de ninhos, e rescendendo às carícias que minha mãi me fazia, ao despertar.
E quando eu morrer, metam-me dentro!
O pano será feito de sonetilhos de todos os poetas líricos que eu apoiei e soube amar, escritos em folhas de rosa – e à volta cantem as boas acções da minha vida; afastem os tolos do meu préstito, e enterrem-me num dia de sol, com a primavera nos gritos das aves, num belo campo aonde hajam lilazes e voos de borboletas.”

Para além da grandiosidade e da diversidade de estilos, o conteúdo da sua escrita revela uma enorme atualidade e impele-nos a divulgar o nome deste alentejano, cuja capacidade crítica muita falta nos faz nos dias de hoje. Por isso há que divulgá-lo, ao escritor e à sua obra, para que as gerações vindouras saibam quem foi o homem de pena que encontrou na escrita uma vocação e uma paixão. A importância do escritor no panorama literário nacional e a sua forte ligação ao concelho de Cuba, nomeadamente nos últimos anos da sua vida, motivam o envolvimento da autarquia em todas as iniciativas que permitam destacar a sua figura e, deste modo, promover um maior conhecimento da vida e obra de Fialho de Almeida. A aquisição do imóvel onde o escritor residiu em Cuba e definição do projeto de arquitetura da futura Casa Museu, o lançamento do Concurso Literário Nacional Fialho de Almeida e a Edição da Coletânea de Contos, o tratamento e disponibilização on-line do espólio de Fialho, são apenas alguns exemplos do trabalho desenvolvido pelo Município. Cem anos depois da sua morte, os que o viram nascer e os que o acolheram nos últimos anos da sua vida decidiram aliar-se e prestar-lhe homenagem. A estes, juntaram-se os que o admiram e reconhecem nele o inegável valor literário que possui. Esta união de esforços resultou no desenvolvimento de um conjunto de iniciativas que apraz registar para a posteridade e muito orgulha todos os que nelas participaram. Bem hajam, Fialho merece!

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